quinta-feira, 20 de maio de 2010



Entrevista a uma educadora de infância, do Jardim de Infância Garcia de Resende, em Évora!!!



  • Pode começar por explicar o que é que faz aqui no jardim de Infância Garcia de Resende? Quais as funções é que desempenha?
Resp: Sou educadora de infância. As minhas funções são muito diversificadas. Eu trabalho com os meninos e, principalmente “estou” com eles. Os educadores zelam pela protecção deles e ensinam/ educam. Estamos atentos ao que eles sabem e qual o seu nível de desenvolvimento para os ajudarmos a crescer. Nós ensinamos mas sem o carácter que têm na escola, nós educamos com a convivência. Há pouco estive a ver o abecedário com eles, estivemos a ver as letras, a procurá-las e a fazer jogos com elas. Assim damos-lhe a entender que com várias letras podem escrever várias palavras e despertamos o interesse pela escrita. Os educadores têm imensas funções.

  • Há quantos anos é que exerce esta profissão?
Resp: Há 29 anos.

  • Trabalhou em mais algum sítio, antes deste colégio?
Resp: Já trabalhei em Évora, Viana do Alentejo, Estremoz e depois voltei para Évora.



  • Eu estou no 9ºano e, como tal, tenho de escolher um curso que vou desempenhar no 10ºano. Quando tinha a minha idade já sabia que queria esta profissão?
Resp: Não, ainda não. Quando estava na tua idade queria ser médica e cheguei a pensar em ser professora de educação física, pois adoro tudo o que tem e ver com desporto. Concorri a vários cursos mas queria ficar em Évora e houve vários que desisti. Segui a área da infância e no primeiro e segundo ano tive boas notas apesar de não me interessar muito pela área. No terceiro ano as minhas notas baixaram mas comecei a trabalhar com meninos e adorei. Foi aí que me decidi, com 20 anos, que queria mesmo ser educadora de infância.

  • Há quantos anos trabalha aqui no colégio?
Resp: Há 19 anos.

  • Desempenhou sempre a mesma função aqui neste colégio?

Resp: Sempre desempenhei a função de educadora de infância, também fui coordenadora mas principalmente educadora.

  • Quão grande é a ligação afectiva com estas crianças?
Resp: Quão grande… É grande. Com cada menino existe uma ligação diferente. Isso depende também dos seus feitios e também dos nossos. Mas há sempre algumas crianças que nos marcam imenso, às vezes pela positiva mas também pela negativa. No entanto, aqueles meninos que nos marcam negativamente porque têm um comportamento complicado, são aqueles em quem investimos mais tempo, e no fim acabam por ser relações mais estreitas.








Pode partilhar, uma situação que tenha acontecido aqui e que a tenha marcado?

Resp: Logo no meu primeiro ou segundo ano aqui no colégio aconteceu-me uma situação interessante. Nessa altura tínhamos uma bancada com uma abertura para um alguidar, para eles fingirem que lavavam a loiça. Por baixo do alguidar não havia nada e esse espaço estava tapado com um pano. Um dia, desapareceu um rapaz e eu não sabia onde ele estava, procurei em todo o lado e não o encontrei, pelo que já estava a ficar muito preocupada. De repente vi o alguidar a subir! Encontrei-o debaixo da bancada a empurrar o alguidar com a cabeça...
Outra situação aconteceu mesmo hoje. Um menino, enquanto víamos o abecedário, olhou para mim e disse:
- Eu “tipo” tenho uma facilidade em escrever uma letra. – Eu perguntei qual era, e ele disse – É o “h”. Posso escreve-la no quadro?
Eu disse-lhe que sim e vi-o escrever no quadro uma letra muito redondinha e muito bonita e então disse:
- Mas que lindo “h”! É pena é que seja mesmo um “a”!




  • Para acabar esta entrevista tenho uma última pergunta. Gosta que as crianças de quem cuidou venham visitá-la, anos mais tarde, como eu?

Resp: Sim! Claro! Ainda há uns dias encontrei uma rapariga e reconheci-a na rua, ela já tem pelo menos 20 anos mas ainda se lembra de mim. Demos logo um grande abraço.




Trabalho Realizado Por:
  • Ana Patrícia

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